Pesquisar este blog

domingo, 6 de março de 2011

Bin Laden e Bush - separados por uma ponte; separados?

Um compromisso me levaria ao Gragoatá naquela quinta-feira à noite. Dia livre, decidi ir pela manhã até a Região Oceânica de Niterói, onde almoçaria, haveria tempo pra um mergulho e o retorno pro Gragoatá no início da noite. Mal sabia eu que pararia no caminho, em São Domingos, pra conhecer finalmente o ponto de encontro dos talibãs, uma caverna que Bush filho daria tudo pra conhecer antes que lhe desvendassem a cascata das armas químicas no Iraque. Deposto Sadam e esquecido Bush, voltemos a São Domingos. Encontro Celso, um dos donos da Caverna do Bin Laden,  jeito de boa praça que faz questão de abrir-me a casa, já devidamente aberta e com uma mesa de simpáticos senhores tomando uma gelada no final da manhã - não têm o jeito de quem se justificaria fosse pelo horário ou pelo calor que fazia, apenas degustavam o precioso líquido e pareciam felizes. Eu é que sentiria uma certa culpa se bebesse àquela hora - nada que Freud explique (ou não) - porque o corpo pedia mesmo um água e um café. A água, servida pelo atencioso Celso, veio acompanhada do convite pra conhecer a casa, com luz mínima na parte da frente e suficiente pra se jogar uma sinuca, no salão ao fundo. Celso se empenha em falar na boa frequência da casa, que recebe estudantes adultos da UFF, vizinhos e público da redondeza. Celso se adianta e expõe com orgulho a escassez da luz - assim não fosse, como chamar o lugar de Caverna? Prometi voltar pra tomar uma cerveja no ponto.
De saída, e ainda que o mergulho em Itacoatiara fosse adiado, a Estação Cantareira e a praça me jogaram nos braços de São Domingos, o bairro que faz fronteira com o Gragoatá e o Centro.
Dei a volta na praça com os olhos, cruzando-a em diagonal. E me deparei com o Vestibular do Chopp.  Já vi de quase tudo nessa linha; ou acho que vi: Sindicato do Chopp, Universidade... Avisem aí se conhecerem o Congresso ou o Senado do Chopp, mas eu desconfiaria da qualidade destas casas - que conseguem ter lá gente procurada pela Interpol e que lá anda como representante do povo.
Foi então que a vontade do café pingado encontrou-se com uma padaria. Ou, com a padaria...mas esta será outra história...o passeio do acaso ao bairro continuaria.
Deste primeiro pedaço fica a certeza de que Bin Laden está próximo de Bush. Sempre esteve. Em que sentido quiserem, sob pontos de vista antagônicos, inclusive. Melhor mesmo seria que ambos pudessem tomar a máquina do tempo de H.G. Wells e que, antes da guerra, das guerras, de destruírem ambos vidas ou lugares preciosos; de mudarem para pior o curso da história, fossem tomar uma gelada em paz no boteco do Celso.

2 comentários:

Justine disse...

Mais uma crónica ao ritmo da ternura pelas pessoas e pela tua terra, que se me transmite como se eu também daí fosse e por aí andasse!
A ironia política, subtil e elegante, não deixa de ser acutilante. Muito bom, como sempre, meu primo:)))

Augusto Carioca disse...

Obrigado, Justine, minha contumaz seguidora. Vc precisa vir ao Rio, a Niterói...para rever ou conhecer novos lugares, ou os lugares novos. Eu sempre digo que o mundo cabe numa praça. Bjs, abraços e abreijos pra vc e pra todos que você ama.