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segunda-feira, 21 de março de 2011

Botafoguense vence em São Januário

Fui assaltado. Dez e meia da manhã de sábado, ao lado do belo estádio de São Januário. Drogado, bêbado ou longe de si, o bandido optou por puxar-me o ombro uma, duas vezes... Me chamou de valente quando reagi com um empurrão ao terceiro puxão no meu ombro, que fez com que ele, feito ioiô, fosse e voltasse do encontro de suas costas com a lateral do ônibus enguiçado, encostado junto à calçada. Na volta, ele já exibia o redutor da minha valentia. O movimento do braço direito era de quem ia atirar, o do esquerdo buscava e ganhava de mim um relógio nosso - de meu pai e de meu avô. Meu pai viu fantasmas quando lhe contei a história: perdera ele o pai; eu, o avô, semanas antes. Ganhava de volta o filho com a valentia sintetizada pelo tremor pouco controlável das canelas - o que doía era isso, não a cabeça e seus quatro pontos ou o curativo junto à orelha. Ao olhar para o relógio que se ia embora, a cabeça pendeu para a esquerda e, se tiro não houve, ouvi o zunido na cabeça depois da primeira coronhada, o reflexo do braço a desviar para a orelha a segunda. A explosão de raiva veio meio segundo depois da fuga do bandido, chamando de bando de covardes o grupo que assistiu de um bar, omisso, a esta cena de minuto. Fariam o que? Levar um teco por mim? Não, não havia ali nenhum Jon Jones, com certeza. Quando meu sangue já fazia reticências na calçada, surgiu um anjo da guarda na pele de uma moça morena e um oásis composto por um tanque com água fria e abundante sobre minha cabeça e uma toalha limpa em torno dela. Foi esse conjunto que me confortou até chegar ao hospital, ao curativo e aos quatro pontos. Embora só a toalha e um amigo fossem até lá comigo. Esse amigo - que ficara para trás alguns segundos, na saída do clube e que viu este agora blogueiro atravessar a rua alguns metros à sua frente -  me reencontrou com a cabeça gotejante sem entender o que acontecera... Os quatro pontos se foram já faz tempo.
O fato tem mais de 30 anos, e a região foi revisitada várias vezes nesse período. Na penúltima vez, na companhia da mulher amada, perdendo a conta de chopps no bar Adonis por conta da companhia de um calor dos diabos e de um bacalhau dos deuses. Seguidos de uma duríssima e suada (lá se foram os chopps!) vitória vascaína em São Januário.
Hoje foi diferente: Não me lembro de ter estado tão sozinho e tão perto daquela cena e daquele local como hoje. Não me consta que alguma UPP esteja lá instalada, e o lado do estádio que faz margem com a rua Ricardo Machado e a Barreira do Vasco merece ao menos a Comlurb para livrá-lo do lixo que estava na calçada por volta das 15h30. O bar da cena de minuto está no mesmo lugar, os covardes devem ser outros, os anjos da guarda devem ser os mesmos, mas puseram-se invisíveis no trecho entre as ruas General Argolo e General Almério de Moura. Quase ninguém na calçada, uma sensação de dejavú e um simpático casal próximo da estátua mal cuidada do personagem que dá nome à rua Francisco Palheta. Feita a volta, caminho de propósito mais longo pra alcançar a fachada do clube, chego à entrada social do belo estádio. Não resisto a entrar no clube para revisitar a sala de troféus, porém aberta somente de terça a sábado. Não faz mal, venci a Barreira de novo, quase 30 anos depois, projeto quase ao acaso de uma tarde de segunda-feira nublada.
Em que tratei de cuidar, uma hora antes, do corpo e da alma, descendo do ônibus 472 na esquina da rua São Januário com General Argolo, portas (sim, no plural) do Bar Corujinha, ou Bar do Júlio. A propósito, botafoguense vencido pelo vizinho Vasco da Gama ontem, jamais vencido acho eu no filé das próximas linhas. Provocado semana passada por uma conspiração entre o blog de Juarez Becoza e o e-mail do amigo Cardoso e pressionado pelo stress (ou estressado pela pressão) que me sinaliza a falta de tempo quando tempo não falta, decidi provar o filé avenida do bar. A cerveja foi adiada, mas o filé foi vencido com apetite de campeão de terra e mar. Se for possível encontrar por aí um contra-filé de qualidade, saboroso, no ponto e tão bem guarnecido quanto o da foto (além de sê-lo, ainda, pelos generais de São Cristóvao e pelo almirante Vasco da Gama) mais um pudim de leite Moça como aqueles que só as mães sabem fazer, pagando menos de R$ 19,99... Sei não, tenho a convicção de que o Bar do Júlio dificilmente será vencido. No máximo,  empate e decisão por pênaltes. Porque pênalte não tem  barreira.

domingo, 6 de março de 2011

Bin Laden e Bush - separados por uma ponte; separados?

Um compromisso me levaria ao Gragoatá naquela quinta-feira à noite. Dia livre, decidi ir pela manhã até a Região Oceânica de Niterói, onde almoçaria, haveria tempo pra um mergulho e o retorno pro Gragoatá no início da noite. Mal sabia eu que pararia no caminho, em São Domingos, pra conhecer finalmente o ponto de encontro dos talibãs, uma caverna que Bush filho daria tudo pra conhecer antes que lhe desvendassem a cascata das armas químicas no Iraque. Deposto Sadam e esquecido Bush, voltemos a São Domingos. Encontro Celso, um dos donos da Caverna do Bin Laden,  jeito de boa praça que faz questão de abrir-me a casa, já devidamente aberta e com uma mesa de simpáticos senhores tomando uma gelada no final da manhã - não têm o jeito de quem se justificaria fosse pelo horário ou pelo calor que fazia, apenas degustavam o precioso líquido e pareciam felizes. Eu é que sentiria uma certa culpa se bebesse àquela hora - nada que Freud explique (ou não) - porque o corpo pedia mesmo um água e um café. A água, servida pelo atencioso Celso, veio acompanhada do convite pra conhecer a casa, com luz mínima na parte da frente e suficiente pra se jogar uma sinuca, no salão ao fundo. Celso se empenha em falar na boa frequência da casa, que recebe estudantes adultos da UFF, vizinhos e público da redondeza. Celso se adianta e expõe com orgulho a escassez da luz - assim não fosse, como chamar o lugar de Caverna? Prometi voltar pra tomar uma cerveja no ponto.
De saída, e ainda que o mergulho em Itacoatiara fosse adiado, a Estação Cantareira e a praça me jogaram nos braços de São Domingos, o bairro que faz fronteira com o Gragoatá e o Centro.
Dei a volta na praça com os olhos, cruzando-a em diagonal. E me deparei com o Vestibular do Chopp.  Já vi de quase tudo nessa linha; ou acho que vi: Sindicato do Chopp, Universidade... Avisem aí se conhecerem o Congresso ou o Senado do Chopp, mas eu desconfiaria da qualidade destas casas - que conseguem ter lá gente procurada pela Interpol e que lá anda como representante do povo.
Foi então que a vontade do café pingado encontrou-se com uma padaria. Ou, com a padaria...mas esta será outra história...o passeio do acaso ao bairro continuaria.
Deste primeiro pedaço fica a certeza de que Bin Laden está próximo de Bush. Sempre esteve. Em que sentido quiserem, sob pontos de vista antagônicos, inclusive. Melhor mesmo seria que ambos pudessem tomar a máquina do tempo de H.G. Wells e que, antes da guerra, das guerras, de destruírem ambos vidas ou lugares preciosos; de mudarem para pior o curso da história, fossem tomar uma gelada em paz no boteco do Celso.