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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Design nascido em Viseu

É tempo de Festas e - como não lembrar? - dos bolinhos de bacalhau feitos por minha mãe com o design próprio da massa na palma da mão, dedos fechados na direção do pulso. Os dito cujos - assombrem-se - tinham o ingrediente indispensável (bacalhau) e, depois de fritos, tinham a aparência dourada, tal e qual as terras do Douro, tal e qual o ouro daquele coração luso. Lembrei-me dos bolinhos de bacalhau feitos por D. Henriqueta no restaurante de mesmo nome, na rua Francisco Dutra, no finalzinho de Icaraí. Mas que não está mais lá. Bem parecidos, talvez ainda seja possível encontrá-los na Gruta de Santo Antônio, restaurante de D. Henriqueta na Ponta de Areia, ou Portugal Pequeno, na zona portuária de Niterói. Passada a ponte Rio-Niterói, a rua Feliciano Sodré deixando já para trás a Ponta de Areia, chego à Visconde do Rio Branco, que se estende desde o Mercado do Peixe até depois do Plaza Shopping, em Niterói. Logo na primeira esquina - com rua Dr. Fróes da Cruz - encontro o Império do Bacalhau, onde provo seus honestos e saborosos bolinhos de bacalhau. Que nada devem aos do Caneco Gelado do Mário, vizinho de bairro. Pequenas bolas de golfe, quentinhos, crocantes e a acompanhá-los um bom azeite português sem miséria nenhuma. Seu Altino, português do Distrito de Viseu, derrama bom atendimento e simpatia. Peço o cardápio, mas como encarar um dos diversos pratos de bacalhau se estou sozinho? Quase peço socorro a algum amigo de Niterói, mas eram quase três horas da tarde e quem venceu naquele dia foi o Mazembe - sapecando 2x0 no Inter de Porto Alegre - e um contra-filé executivo. O bacalhau, exceto o dos bolinhos, fica pra outro dia. O lugar é simples e junta bar, restaurante, adega. Tem música ao vivo às sextas-feiras, e espaço de sobra. Há o vinho da casa e, é claro, vinhos portugueses. A cerveja é servida bem gelada, que o calor era intenso. Os ventiladores fazem bem a função de nos tirar do calor do Senegal. A TV via satélite falhou e assisti com chuviscos na tela da TV aberta o Mazembe ganhar do Inter por 2x0. Para cada gol, uma Antarctica Original. Ajudaram-me a escapar do calor senegalês, mas os gaúchos não conseguiram se livrar do calor do ataque do time do Congo. De volta ao Rio, de novo pela Feliciano Sodré, vejo a placa indicando Portugal Pequeno, lembrete pra me fazer voltar daqui a algumas semanas, tomar o caminho do bairro e revisitar o design daqueles bolinhos pela forma que D. Henriqueta não deve ter abandonado. Seja como for, o apetite foi saciado. E apesar do design mais arredondado dos bolinhos do Império, o Seu Altino também é da escola de Viseu.

4 comentários:

Justine disse...

Vê lá bem como são as coisas, primo: tu a procurares os vestígios de Portugal desse lado do mar que te enganem um pouco a fome das saudades, e eu a sonhar acordada com o natal quente,tropical, brasieliro,cheio de amizade e ternura que foi o nosso do ano passado!
Isto, tudo misturado, acaba em equilíbrio! E vivam os bolinhos de bacalhau:))))
Um beijo para todos!

Sérgio Ribeiro disse...

'Tou com ela... e muito queria estar(mos) convosco.
Tu gostas muito de nos fazer sofrer, n'é?
Abreijos p'ró Rio e Volta Redonda

(aqui, os bolinhos chamam-se pasteis... já esqueceste? Vivam os pasteis de bacalhau. E as Antarctidas Originais!)

Boas Festas (pelo corpo todo)

cristal disse...

Tenho andado distraída e arredada de comentários. Hoje decidi fazer uma pausa na pausa e cá estou a deixar prova da minha visita e do muito que apreciaria estar convosco tal como os dois que me antecederam nos comentários. Abraços

J.Aguiar disse...

augusto, meu primeiro comentário. sou recém chegada a estas paragens...
fiquei cheia de vontade de me meter num avião e ir para aí... e provar os bolinhos de bacalhau do outro lado do oceano... quem sabe se um dia destes não dá mesmo?
bjs grandes!