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terça-feira, 28 de setembro de 2010

Tríplice Fronteira

Devia ter feito mais coisas, aproveitado melhor o fim de semana - é o que diz a velha ansiedade que planeja dezenas de coisas quando não apenas o tempo, mas o coração, avisam que pra ficarem guardadas neles só se podem fazer três ou quatro. Sei agora que boa parte da terra carioca cabe toda em Laranjeiras e arredores. Que há tempo pra visitar a amiga na clínica - ainda enferma, com um sorriso suave e lírico, feito daquele par de olhos improvável de esquecer e nada débil. Conversamos por uma hora. Viajo no sentido contrário e encontro com ela no passado - Praia de Ipanema; ela chegando, junta-se aos amigos e eu quase saindo porque somos das manhãs. Tenho tempo ainda de ouví-la, e aos amigos, sobre o último evento de arquitetura e decoração. E de falar pelos cotovelos porque, tomando a voz de um amigo, "na minha área, somos especialistas em generalidades e generalistas em especialidades". Ao sair, estou certo de que depois do aplauso para o pôr do sol a loura vai-se embora com ele e deixa saudade em Ipanema. Porque precisa voltar pra casa, na Glória. Sorte da Glória, de Laranjeiras e arredores.
Volto ao presente, ou ao futuro que já é passado. Saio da clínica, com a certeza de que ela vai me seguir, caminhando à esquerda da rua, pra visitar o Casa Cor no Palacete Modesto Leal e levar sua crítica para a praia. Mas não a vejo, ainda. Próximo dali, tomo o 497, passo pelo Catete, Glória - as transversais que levam a Santa Teresa à esquerda, o Aterro do Flamengo do lado direito. O ônibus vira à esquerda, na tríplice fronteira entre Glória, Centro e Lapa. Passa pelos Arcos. O cansaço das viagens pelo tempo me deixou tonto. O 497 pára ao meu sinal e eu não desço. Ainda viajo, parado à espera que se abra a porta. Descubro que estava junto ao acesso para cadeirantes. O motorista percebe e não me deixa passar do ponto. Então, desço próximo da rua Gomes Freire. Ainda que a alma e o coração estivessem saciados por um dia tão rico, o corpo acusa o golpe da reentrada na atmosfera da Terra e o estômago clama por sua causa. Corro, mas sei que tenho tempo. É um pouco tarde pro almoço porque sou das manhãs. É sexta-feira, cedo demais pro final do dia - que é como eu chamo o tal do happy hour. Desde que saí de Laranjeiras, meu destino já está traçado. Levado a um lugar incomum e imperdível - o Lapa Café, que também é bar, casa noturna, galeria de arte, espaço pra eventos, cervejaria.
E lá se vai o meu final do dia pro meio da tarde.
Ainda estou em Laranjeiras... e arredores. O mundo cabe todo aqui. A nave continua sua viagem. E ainda era sexta-feira.