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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Meia dúzia ou 87?

Há um amigo meu, economista, político, professor, escritor e blogueiro dos bons que inseriu "Notas CaRIOcas" sobre Búzios, Niterói, Paraty e Volta Redonda em seu blog. Talvez seja pra
(e)levar o espírito carioca pra todas as bandas. Ou pra colher o mais original e puro de sua formação, beber (no caso deste post, literalmente) em outras fontes...
Falo de Volta Redonda...
Há muito tempo (bota tempo nisso!) eu não via do meu lado meia dúzia de garrafas (bota meia dúzia nisso!) enfileiradas numa mesa de bar dividida com amigos. Não chegaram todas juntas, é claro. Foram chegando uma a uma, cada uma delas no limite entre o estado líquido e sólido. Desceram redondas? Melhor que isso; foram ondas nas quais surfamos ora pelo nosso pedido, ora pela oferta atenta do dono do bar ou do seu pai - o primeiro, surfando conosco em alguns goles. Todas servidas no tradicional copo americano.
Um bar de família, o Bar do Julião - Rua Argentina, 701 - Vila Americana.
Pai ou filho ameaçavam com cada garrafa, coberta por uma leve camada de gelo, o calor lá de fora se ele se atrevesse a entrar no recinto. O Bar do Julião sabe receber. Desde simples mortais como nós a políticos locais, executivos e ex-executivos, vizinhos e comunidade, sociedade e povo trabalhador. Já vi o Julião dando uma colher de azeite pra um vizinho trabalhador, aconselhando-o a deixar o recinto porque bebera (não, não foi azeite) demais.
Pra acompanhar a cerveja, neste sábado havia costelinha de porco. No ponto, com farofa e couve à mineira. Combinação perfeita com a tal cerveja em que surfamos - Brahma Chopp da boa, original, mais que redonda. Ainda olhei pro lado, pra feijoada, também servida aos sábados, e que era devorada na mesa ao lado com indisfarçável prazer. Ouve ainda a oferta de um franguinho aperitivo, descartado a favor de bolinhos de carne (meia dúzia?) que é o upgrade de um similar batizado, provavelmente por algum médico, de monstrinho, do qual também já provamos sem chamar Van Helsing e que é encontrado no Ressaquinha - em Barreira Cravo, programão aos domingos por volta das 11h da manhã - ao lado de itens da culinária do bom (ou boom) colesterol. Mas voltemos ao Bar do Julião. E aos frangos.
Julião faz sucesso com o frango, finalizado na "frigidaire de cachorro", mas antes preparado com apuro exemplar. Lá, frango é frango mesmo e o Julião arrumava espaço na cozinha pra começar o preparo de 87; sim, 87 frangos, que seriam vendidos no domingo - um sucesso na Vila Americana (17 já com pré-reserva confirmada). O Julião tem ainda um santuário atrás do balcão, à direita de quem entra no bar, onde ficam as "bebidas quentes", mas cuja atração são as cachaças de qualidade - Providência, Salinas, Boazinha...
O banheiro...bem, é banheiro de boteco; se puder, escolha ir fora dos horários de pico.
A cozinha é aberta, ao fundo e de frente para o salão do bar. Limpa e cuidada.
Quando a fileira de cervejas se encaminhava para o precipício, chega ao bar uma figura de Volta Redonda - bom de bola e de noite, e que hoje atua na gastronomia local servindo boa comida árabe...mas aí já é outra história. A que cabe aqui é que o cidadão, benvindo à mesa, achou nela espaço pra enfileirar mais meia dúzia de histórias e de cervejas (bota meia dúzia nisso!). A esta altura, eu já era refugiado de Obama, agarrado a duas Coca-Colas Full. Cervejas e histórias que nos fariam ficar ainda mais tempo por lá. A primeira bateria de histórias passou por esporte, meio ambiente, cidades, turismo, gastronomia, mulheres (as nossas, são nossas as mulheres, as mulheres são as nossas). A segunda bateria também teve disso tudo um pouco, mas chegou-se até a lançar candidato a deputado. Um bar pode tudo! Não posso ficar mais meia dúzia de meses (bota meia dúzia nisso!) pra voltar lá. E nem deixar que meus amigos de fora do Rio ou do Brasil voltem à base sem conhecer o lugar. O bar e o Julião merecem. O que ele não merecia é que o seu Botafogo, que deu muito mais que meia dúzia de craques ao nosso Futebol, no dia seguinte, tomasse meia dúzia de gols, incluído o frango do goleirão Jefferson, que não tem nada a ver com os 87 do Julião.