Pesquisar este blog

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Um Degrau que é o Cão

Fazia tempo, muitos anos mesmo, que não tomava uma boa bagaceira lusa. Salvou-me dos seus efeitos (o melhor é dizer privou-me) o café da livraria do Shopping Tijuca, acompanhado de duas microrrabanadas, que o açúcar tem seus momentos nobres. Ora, pensando bem, salvou-me de que? Àquela altura, brava e firmemente cruzei a Av. Maracanã sem tropeços, sem cair no rio e sem tomar a direção do Estádio. Talvez tenham-me privado - o café e a segura travessia - de curtir um pouco mais momentos de uma paixão que só se permite no tempo livre dos dias úteis. Que me apareceu no salão do Bar, comendo depois de todos, conversando com o garçon enquanto eu terminava meu almoço - Pescada com arroz, feijão, salada; Brahma Extra geladíssima, que ninguém é de ferro. Perguntou-me se estava bom. Eu disse que sim e, atrevido, perguntei-lhe de onde era, há quanto tempo estava ali. Respondeu que ali estava há 51 anos, sempre naquele lugar, mas que veio do Norte...de Portugal. Região do Douro, perto da terra onde nasceram meus pais. Mais apaixonado ainda fiquei pela bela senhora de cabelos brancos e pelo Bar Varnhagem - simples, honesto, e onde matei o apetite e a sede na hora incerta das 14h30. Dona Natalina entrou na minha vida - e esta foi a hora de pedir o bagaço. Pra esquentar este sangue, também dourado - adiando o checkup pra daqui a algumas semanas, porque não vou dar moleza pra laboratório nenhum constatar toda a lógica que naquele dia lhe dariam os açúcares, o lúpulo, o malte e as uvas. E ainda há por lá os bolinhos de bacalhau, os croquetes...mas é preciso, mesmo sem álcool algum, ter cuidado com o degrau no acesso ao WC do Bar. Dona Cidália, filha de D. Natalina, avisou-me que Degrau seria o nome do cachorro. Fui conferir. O Bar Varnhagem não tem risco - passei pelo Degrau (ou pelo degrau) sem problemas. Lugar simples, gente idem, comida honesta, cerveja geladíssima e simpatia que se estende aos garçons. Não me salvei das paixões daquela tarde porque prometi à D. Natalina voltar. O checkup não tarda porque a dita refeição estava carregada de Ômega 3.

(Registre-se, em nome da boa publicidade, que a marca do bom 'bagaço' é Neto Costa - que também faz um belo espumante! E modere-se!)

Henry Sobel e a Garota de Ipanema

Diana Krall, como de costume, faz bonito no novo CD Quiet Nights, mas a sua voz, durante a interpretação de Este seu Olhar, clássico da nossa Bossa Nova, mais parece o rabino Henry Sobel com seu inconfundível sotaque. Com todo o respeito aos dois. Ouvi um trecho em http://megastore.uol.com.br/acervo/jazz/d/diana_krall/quiet_nights.
Também é estranha a versão para nossa Garota de Ipanema: The boy from Ipanema me parece, só pelo título, esquisitona. Nada disso me impediu de comprar o tal CD. Como diria Tim Maia, "o resto vale"!