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sexta-feira, 18 de abril de 2008

A Noite do Rei

Escrevo com atraso colossal, sem nem lembrar a data e, de propósito, sem ir buscar agora o rigor desta informação clara. A data não importa, é espetáculo para a História. Falo do Tricolor Carioca, Maiúsculo, fazendo chover sobre o Arsenal argentino seis gols de beleza feminina, numa noite rara em que o Rei do Futebol foi Dodô. Confesso que perdi o primeiro gol, mas achei que algo especial acontecia quando o vizinho tricolor, no lugar do grito seco e rasgado de gol, batia palmas. As palmas se sucederam e tiveram a minha companhia. Praticamente noventa minutos de palmas. O primeiro gol vi no replay - Thiago Neves, de falta (em Dodô), no ângulo - 1 x 0. Depois, de pé direito, Dodô coloca a bola onde quer (e o goleiro não quer) - 2 x 0; Dodô deixa um arsenal de seis adversários fora do caminho da bola (que dribles são esses, meu Rei?) e entrega o gol para Gabriel - 3 x 0; aí veio o voleio histórico - Thiago Neves cruza e, de primeira, Dodô...4 x 0. O mesmo Dodô (não há outro) tabela com Washington e este faz 5 x 0. Aí, veio Cícero e fez 6 x 0 após falta cobrada em dois toques. Partida antológica, com o brilho dos atletas, do técnico e da torcida. Viajei no túnel do tempo, desembarquei em 1982 e aquela Seleção do Tricolor Telê desfilava campeã do mundo com Zico, Falcão, Sócrates, Junior... Num revezamento que confundia Paolo Rossi, a Itália inteira, o trio de arbitragem e o tira-teima da Globo, estavam lá também Dodô, Washington, Thiago Neves e Romário, virando pra 6 x 3 o sofrido 2 x 3 do Sarriá. O que fazia Romário? Chegava ao gol 1010. Tive que viajar de volta a 2008, feliz da vida porque no lugar de juízes que erram, de técnicos que recuam e de jogadores que defendem, houve naquela noite um Fluminense que fez este carioca e, acredito, tantos outros brasileiros, ainda mais amante do futebol. Só por esse jogo e não importa o São Paulo ser campeão brasileiro, o Milan de 2007 e a Itália de 2006 campeões do mundo, o melhor futebol do planeta se joga aqui no Rio. Mesmo que o Flu empate depois com o bravo Resende. Dia seguinte o Dunga teria de convocar o time inteiro do Flu, entregar o cargo e deixar Renato Gaucho mostrar ao mundo o futebol brasileiro. Com Kaká e Robinho no banco. Esse jogo devia virar livro, filme, novela, programa de auditório, Especial de fim de ano e DVD. Pego o túnel do tempo de novo, ajusto para 5 de março de 2008, chego bem cedo ao Maracanã, de camisa canarinho, pra conhecer o Rei do Futebol daquela noite! Licença, Pelé; Salve, Dodô!