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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Cesar visita Godofredo

Vá até Niterói, pra mim parte da Terra Carioca sim, Senhor! Horário de verão, chegue em Icaraí às 16h. Procure, na Rua Men de Sá - quase esquina com Almirante Pereira da Silva, o Empório Icaraí. Cerveja de todo o mundo, cardápio e preço honestos, atendimento cortês. Depois, desça pela Pereira da Silva até encontrar a Rua Tavares de Macedo e tome um espresso com bolo no Café Chicago. Se tiver tempo e alguma grana, continue até a Moreira Cesar e aproveite a liquidação em algumas lojas de vestuário masculino, feminino, infantil...não esqueça dos pequenos shoppings e das transversais. Se só tiver tempo, admire a beleza humana - sentido amplo, entendem? Melhor ainda se perto do Bibi Lanches ou do I Fashion. Você vai acabar subindo a Mariz e Barros. Chegue até a Rua Gavião Peixoto - menos cool, é verdade, mas cheia da conveniência de caixas eletrônicos dos bancos , cartório, lotéricas, o japa que conserta telefones e ao mesmo tempo vende importados (perfumes, bebidas, bugigangas...). Se você caminhar contra a mão da rua, chega ao Campo de São Bento. Toma uma fresca - como diz, à antiga, uma amiga bem mais jovem que a expressão. Se o chafariz estiver funcionando, é ainda mais bacana. Se tiver comprado um livro na Gutenberg (você passou por ela na Moreira Cesar, ou não?), sente-se e leia em paz. Volte pela Rua Presidente Backer, desça, mas páre na Padaria Beira-Mar. OK, você comeu sanduíche, bolo; tomou cerveja e café...mas sempre há que se comer na Beira-Mar, ainda que seja com os olhos. Vá bisbilhotar o salão, onde a esta altura servem o chá das cinco, mas onde há cedinho um café da manhã de primeira. Prometa levar sua mulher lá um dia desses, mas leve uma garrafa de vinho pro jantar. A essa altura, você já terá prometido pra si mesmo voltar a Nikiti. Já fez Praça XV-Charitas de barca e happy hour na orla de São Francisco? Já foi até a rampa do Parque da Cidade? Região Oceânica? Na próxima. Continue descendo até a Praia, páre a cada nova esquina, sempre olhando para a Baía de Guanabara. Guarde na sua memória cada foto que seus olhos farão. Eu prefiro a esquina da Praia com a Rua Belisario Augusto - o Pão de Açúcar parece muito, muito perto. Você estará há umas duas ou três horas longe do Rio de Janeiro, mas será possível matar a saudade, quase tocá-lo - o sol indo embora; mar e montanha mudando rapidamente de cor. O MAC, de Niemeyer, compondo a foto. Bonito demais. Apesar de Cesar, o Rio continua lindo. Niterói também, mas Godofredo que se cuide.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Os meninos e o ministro

É improvável que eu me acostume: são muitas as imagens que as ruas imprimem na mente e no coração da gente: por exemplo, meninos maltrapilhos dormindo sobre as calçadas não se importam mais em procurar um canto; ao contrário, esparramam-se sobre as calçadas. Quando despertos, o olhar é para lugar nenhum - cabeça perdida, corpo desamparado, roupas sujas. Pedem um trocado, um salgado. Recebem de mim a dúvida e o olhar desconfiado de que são eles que vão me pressionar no próximo sinal. Quase nunca dou uma moeda. Quem se importa? Os pais não há ou não se importam ou não sabem ou estão em outras calçadas. Como é triste! Os órgãos públicos? Não se importam. Quando chegará para eles o Estatuto da Criança e do Adolescente? Quando terão para si a Secretaria de Defesa e Ação Social? Por uns trocados arriscam a vida - a deles e a nossa. Minha esperança é que apareça por aí algum ministro disposto a usar o cartão de crédito do Governo e pagar-lhes, em alguma esquina, uma boa rodada de tapiocas.

Cidade-Periferia

Há anos comentei com amigos que o Rio caminhava para ser a favela mais bonita do mundo. Vejo com profunda tristeza a favela avançar sobre o verde, e também sobre as águas e sobre as ruas. Projeções feitas com o auxílio de softwares de como seria a paisagem carioca, daqui a alguns anos, em alguns dos principais cartões postais, chocam, mas esse estado de coisas avança desde sempre e não apenas na Zona Sul. Subir as escadas que dão acesso à bela igreja de N.S. da Penha mostra o imenso mar de barracos do Complexo do Alemão; as Linhas Vermelha e Amarela são filetes diante do abraço que lhes dá o imenso grupo de ilhas onde sujeira, esgoto a céu aberto e condições pouco dignas fazem companhia à habitação precária de milhares (milhões) de cariocas. Alguns Complexos envolvem a cidade-periferia. A paisagem carioca já se transformou e se agrava a cada dia. O Rio de Janeiro não é uma cidade para abrigar uma população desse porte; isto é problema histórico. A questão é como resolver, sem culpar o passado, a preparação do futuro, agindo no presente para que o Rio volte a sorrir. Um projeto de felicidade para a cidade e para cada uma das pessoas que vivem aqui. A começar por dignidade, respeito. É o mínimo que se pode exigir de quem exerce cargo público. Quem vive aqui quer ser tratado com dignidade; o resto vem depois, boa parte a gente mesmo faz. Se se perceber notório não apenas no carnaval ou nas eleições - Alô, Comunidade! - mas sempre. Perceber-se importante e entender que tratar bem a cidade tem a ver com cada um de nós. Que a desordem social e urbana, o lixo das ruas, o estacionamento e o transporte irregular, a forma como são tratados os rios, o mar e o verde são tolerância de Sérgio e César, mas obra também de cariocas que, sentindo-se desimportantes não se importam com o espaço em que vivem. Conformam-se ou contribuem para uma qualidade inferior da vida em terras cariocas. E aí, a cidade morre. Que o Rio de Janeiro sobreviva! E que eu viva por aqui pelo menos uma centena de anos. Em tempo: vou pagar o IPTU; em parcelas, mas pagarei. Iludido, eu peço a César que pague a imensa dívida que tem com a cidade.